CONVENTO DOS CAPUCHOS REABRE AO PÚBLICO DIA 1 DE AGOSTO
Agenda Cultural

CONVENTO DOS CAPUCHOS REABRE AO PÚBLICO DIA 1 DE AGOSTO

O Convento dos Capuchos irá reabrir ao público no próximo dia 1 de agosto, com a iniciativa “Do Musgo e da Cortiça – O Restauro do Convento dos Capuchos” que pretende apresentar a complexidade e a minúcia de um dos processos de conservação e restauro mais sensíveis dos 20 anos de história da Parques de Sintra.

A visita integra o programa “Visitas aos Bastidores”, uma nova proposta da Parques de Sintra para este verão, que visa dar a conhecer temas e espaços dos Parques e Palácios sob a sua gestão e que não estão acessíveis ao público. As visitas são guiadas por técnicos que trabalham nos bastidores e que irão desvendar os segredos do seu trabalho diário.

A participação é limitada a 10 pessoas e exige inscrição prévia. Pode consultar o programa completo e mais informação no site da Parques de Sintra.

O monumento reabre ao público após a conclusão de obras de conservação, restauro e de requalificação de grande dimensão, iniciados em novembro do ano transato. As intervenções que continuam a decorrer são de menor proporção, reunindo assim as condições necessárias de segurança e de qualidade da experiência de visita.

As obras realizadas a este monumento obedecem a uma estratégia global, definida por uma equipa multidisciplinar e fundamentada num conjunto de princípios, que permitiu encontrar delicadas soluções de compromisso, entre a estabilidade e a segurança das estruturas, em que a preservação da identidade material e histórica deste património prevaleceu sempre.

SOBRE O CONVENTO DOS CAPUCHOS

1O Convento dos Capuchos é um dos múltiplos exemplos da religiosidade pietista do século XVI em Portugal e ficou conhecido pelo extremo da sua pobreza de construção. De dimensões reduzidas, com celas e dormitório revestidos a cortiça e uma capela cuja abóbada se forma na própria rocha, motivariam a afirmação de William Beckford que, em 1787, relatava a sua visita ao Convento dizendo: “seguimos durante várias milhas um atalho estreito sobre uma colina selvagem e deserta que nos levou ao Convento dos Capuchos que à primeira vista corresponde à imagem que se tem da morada de Robinson Crusoé” (William Beckford e Portugal. A viagem de uma paixão. Catálogo de Exposição. Palácio Nacional de Queluz, 1987, p. 159).

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O Convento materializa o ideal de fraternidade e irmandade universal dos frades franciscanos. Os que o habitaram integravam-se na Província da Arrábida, da Ordem dos Frades Menores Regulares e Observantes.

A portaria do convento, um simples telheiro com teto e traves de madeira forradas de cortiça, constitui justa expressão da pobreza e contenção que norteou esta construção desprovida de elementos decorativos.

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História

O Convento dos Capuchos foi mandado construir em 1560, por D. Álvaro de Castro, conselheiro de Estado de D. Sebastião e vedor da Fazenda, em resultado do cumprimento de um voto de seu pai, D. João de Castro, quarto vice-rei da Índia.
O Convento de Santa Cruz da Serra de Sintra surgia assim, num lugar isolado e inóspito, cujas condições naturais à época da sua fundação tiveram decerto forte influência na escolha da sua localização.

Habitado ainda nos finais do século XVIII, o Convento de Santa Cruz dos Capuchos terá sido abandonado em 1834, com a extinção das ordens religiosas que o regime liberal determinara.

Os elementos artísticos existentes no convento apresentam-se hoje muito degradados, fruto do próprio tempo, e sobretudo dos atos de vandalismo a que todo este monumento foi submetido.
A rusticidade do convento, contudo, não pôde ser adulterada pela austeridade inerente a uma estrutura quase rupestre. Numa visita ao edifício, percorremos a exiguidade dos seus corredores incorporados nos blocos de granito, e deixamo-nos envolver na penumbra do quotidiano destes religiosos. Da Igreja passa-se para o Coro Alto, onde se entoavam os cânticos da celebração da missa. Descobre-se, nesse local, a entrada para o corredor das celas, cujas portas de pequena dimensão obrigavam à adoção de uma postura de genuflexão, expressão de humildade perante a intimidade desse local. No final do corredor encontra-se o refeitório onde as refeições tinham lugar sobre uma mesa de pedra, ofertada pelo Cardeal D. Henrique como prova da sua admiração pela vida que aqui se levava.

Através de uma ministra, vislumbra-se a cozinha e mais adiante, a Cela do Noviço. Na Casa das Águas, pode constatar-se a preocupação dos frades com a higiene e salubridade do meio em que viviam. O quotidiano desta casa era também preenchido pelas ocupações a que estes religiosos se entregavam na biblioteca, nas enfermarias, sendo ainda possível descobrir-se a ala dos hóspedes e finalizar-se o percurso pelo interior do edifício entrando na Sala do Capítulo.

A vegetação que rodeia o convento deve-se a políticas de gestão florestal de meados do século XIX. Antigamente, o local era muito mais aberto e ensolarado, como pode ser visto nas gravuras contemporâneas à ocupação dos frades. Fora da cerca do convento os terrenos eram cultivados e também se praticava a pastorícia. Os bosques estavam limitados aos terrenos rochosos e aos altos dos penedos. A mata do convento, com os seus velhos carvalhos e arbustos de grande porte, beneficiou seguramente da proteção dos religiosos. Tendo sobrevivido até aos nossos dias, a mata constitui provavelmente o testemunho mais importante da floresta primitiva da Serra de Sintra. Esta mata é constituída por uma formação arbórea submediterrânica dominada por carvalhos caducifólios, com elementos do maquis mediterrânico no subcoberto e grande profusão de fetos, musgos e plantas epífitas e trepadeiras que tudo envolvem e recobrem num denso emaranhado vegetal. Destacam-se, ainda, como exemplares isolados cultivados pelo Homem, o frondoso plátano que cobre o adro do convento, o velho freixo do pátio de entrada e alguns exemplares de buxo de porte invulgar que marginam os caminhos. Pela sua raridade, estado de conservação e porte notável de muitos exemplares, constitui esta mata um importante valor natural que importa salvaguardar.

Horários e preços:
http://www.parquesdesintra.pt/planear-a-sua-visita/horarios-e-precos/

Convento dos Capuchos
Estrada dos Capuchos / EN 247-3
2705-177 Colares
GPS – 38°47’03.8″N 9°26’17.3″W

 

Tel: 21 923 73 00
E-mail: info@parquesdesintra.pt
Fonte do texto e imagens: cm-sintra.pt